terça-feira, 13 de abril de 2021

Gran Cursos - regência verbal e nominal

 REGÊNCIA VERBAL E NOMINAL  

Regência é, em gramática, sinônimo de dependência, subordinação. Assim, a   sintaxe de regência trata das relações de dependência que as palavras mantêm  na frase.  

Reger - 1: administrar, dirigir, governar / 2: conduzir, guiar / 3: ensinar, lecionar / 4: encaminhar, orientar / 5: orientar-se / 6: subordinar

Maestro - termo subordinante: verbo ou nome

Orquestra - termo subordinado: complemento

 

REGÊNCIA DOS PRINCIPAIS VERBOS  

AGRADAR / desagradar (v.t.d. ou v.t.i. c/prep. a)  

1) = fazer carinho, amimar (v.t.d.):  

Fazia serão para agradar o chefe.  

2) = ser agradável, satisfazer (v.t.i. c/prep. a):  

A notícia não agradou aos investidores.  

 

ACONSELHAR (v.t.d.i. c/prep. a)  

1) aconselha-se algo a alguém:  

Aconselhei prudência aos compradores.  

2) aconselha-se alguém a algo:  

Aconselhei o comprador a ser prudente.  

 

ADMIRAR (v.t.d.)  

Sempre admirei seus quadros.  

Observação: admirar-se (v.t.i. c/prep. de):  

Sempre me admirei dos seus quadros.  

 

AGRADECER (v.t.d.i. c/prep. a)  

(agradecer algo a alguém, obj. direto "coisa", obj. indireto "pessoa"):  

Agradeceu a compreensão aos amigos.  

 

ASPIRAR (v.t.d. ou v.t.i. c/prep. a)  

1) = sorver, respirar (v.t.d.):  

É gostoso aspirar seu perfume.  

2) = almejar, pretender (v.t.i. c/prep.a):  

Todos aspiram a um bom cargo.  

Observação: não admite o pronome lhe.

Você aspira ao emprego? Sim, aspiro a ele.

 

ASSISTIR (v.t.d. - v.t.i. ou v.i.)  

1) = ver, presenciar (v.t.i. c/prep. a):  

Amanhã quero assistir ao jogo.  

Observação: não aceita o pronome lhe.  

Assististe ao jogo? Sim, assisti a ele.  

2) = dar assistência, ajudar (v.t.d. ou v.t.i. c/prep. a*):  

As enfermeiras assistem os doentes.  

As enfermeiras assistem aos doentes. (não aceito por todos os gramáticos)

3) = caber, pertencer (v.t.i. c/ prep. a):  

Assiste aos alunos o dever de estudar.  

Observação: nesse sentido aceita o pronome lhe.

FGTS é um direito que lhe assiste.

4) = morar, residir (v.i. - adj. adv. c/ prep. em):  

Naquele tempo, assistia em Planaltina.  

É raro seu uso nesse sentido, porém correto.

 

ATENDER (v.t.d. ou v.t.i.)  

1) = dar atenção a "coisas" (v.t.i. c/prep. a):  

Por favor, atenda ao telefone.  

Atenderei ao chamado do chefe.  

2) = dar atenção a "pessoas" (v.t.d. ou v.t.i. com substantivo e v.t.d. com pronome pessoal referente a pessoa):  

No intervalo, atendo os alunos.  

No intervalo, atendo aos alunos.  

O professor atendeu-os.

3) = deferir, conceder (v.t.d.):  

Deus atenderá meus pedidos.  

 

AUTORIZAR (v.t.d.i. c/prep. a)  

(autoriza-se alguém a algo):  

Autorizamos o gerente a pagar o cheque.  

 

AVISAR (v.t.d.i. c/prep. a ou de)  

(avisa-se algo a alguém, ou alguém de algo):  

Avise o resultado aos alunos.  

Avise os alunos do resultado.  

Observação: têm a mesma regência os verbos: certificar, comunicar, impedir, proibir, informar, incumbir, notificar, prevenir...  

Por associação com o verbo falar (falar sobre ou a respeito de), existe a construção 'Avisei o cliente sobre o preço', em que o verbo é intransitivo e o termo seguinte é adjunto adverbial de assunto e não objeto indireto.

 

ANUNCIAR (v.t.d.i. c/ prep. a)  

(anuncia-se algo a alguém):  

Anunciaremos o resultado ao povo.  

 

CHAMAR (v.t.d. - v.t.d. ou v.t.i.)  

1) = convidar, convocar (v.t.d.):  

Chamei os alunos para a sala.  

2) = invocar (v.t.i. c/ prep. por)

Chamava por Deus.

3) = qualificar, apelidar

a) v.t.d. + predicativo:  

Chamei o aluno de esperto.  

Chamei-o de esperto.  

Chamei o aluno, esperto.  

Chamei-o esperto.  

b) v.t.i. c/prep. a + predicativo:  

Chamei ao aluno de esperto.  

Chamei-lhe de esperto.  

Chamei ao aluno, esperto.  

Chamei-lhe esperto.  

 

CHEGAR (v.i. - adj. adv. c/prep. a)  

Chegamos cedo à repartição.  

Ontem, cheguei muito tarde a casa. (sem crase, pois só ocorre crase antes da palavra casa quando especificada: Cheguei tarde à casa de meus avós)

Observação: é vício de linguagem usar-se com preposição em. Em 'Cheguei em cima da hora', a preposição em está correta, pois indica tempo, e não lugar.

 

COMPARECER (v.t.i. ou v.i.)  

1) atividades (v.t.i. c/prep. a):  

Procure comparecer a todas as aulas.  

2) lugares (v.i. - adj. adv. c/prep. a ou em):  

Poucos compareceram à ou na secretaria.  

 

CONVIDAR (v.t.d.i. c/prep. a ou para)  

(convida-se alguém a ou para alguma coisa):  

Convidei os fiscais a entrar.  

Convidei alguns amigos para o jantar.  

 

CUSTAR (v.t.d.i. ou v.t.i.)  

1) = acarretar (v.t.d.i. c/prep. a):  

Imprudência custa acidentes aos operários.  

2) = ser custoso, difícil (v.t.i. c/prep. a - obj. indireto "pessoa" - sujeito oracional):  

Custa aos alunos (o.i.) gostar disso (suj.).  

Observação: É vício de linguagem usar o verbo chegar com sujeito representado por pessoa. Ninguém custa, porque nós não somos produtos nem serviços.

3) = ter valor, preço (v.i. acompanhado de adjunto adverbial de preço)

Este sapato custa 30 reais.

 

DEPARAR (v.t.d. ou v.t.i. c/prep. com):  

Deparei dois erros em sua carta.  

Deparei com dois erros em sua carta.  

 

ESQUECER (v.t.d.)  

Nunca esqueço o seu aniversário.  

Observação: esquecer-se (verbo pronominal, v.t.i. c/prep. de):  

Nunca me esqueço do seu aniversário.  

 

IMPLICAR (v.t.i. - v.t.d. e v.t.d.i.)  

1) = ter implicância (v.t.i. c/prep. com):  

A professora implica com meu filho.  

2) = acarretar, ter como conseqüência (v.t.d.):  

Contratação de pessoal implica despesas.  

Observação: Embora seja semelhante ao verbo resultar, é vício de linguagem usar o verbo implicar nesse sentido com a preposição em.

3) = envolver(-se) (v.t.d.i. c/prep. em):  

Implicaram o rapaz em vários crimes.  

Observação: Somente nesse sentido haverá o uso da preposição em.

 

IR (v.i.)  

1) direção transitória (v.i. c/prep. a):  

Pretendo ir a Blumenau.  

2) direção definitiva (v.i. c/prep. para):  

No final do ano, irei para Curitiba.  

Observação: é vício de linguagem usar-se com preposição em.  

 

LEMBRAR (v.t.d.)  

Sempre lembro o seu aniversário.  

Observação: lembrar-se (v.t.i. c/prep. de):  

Sempre me lembro do seu aniversário.  

 

MORAR (v.i. - adj. adv. c/prep. em):  

Ainda moramos na rua Porto Alegre.  

Observação: têm a mesma regência os verbos: residir, situar-se, estabelecer-se - e as formas derivadas: residente, morador (que também aceita a preposição de), situado, sito, estabelecido:  

Tenho novo escritório, sito no Setor Bancário.  

 

NAMORAR (v.t.d.):  

Paula namorava todos os rapazes da rua.  

Observação: é vício de linguagem usá-lo preposição com, por associação com os verbos casar e noivar.

Raimunda só foi feliz namorando com Ricardo. (incorreto)  

 

OBEDECER (desobedecer) (v.t.i. c/prep. a)  

(desobedecer a algo ou a alguém):  

As crianças devem obedecer aos pais.  

Não desobedeçam ao regulamento.  

Observação: Embora seja semelhante aos verbos respeitar e desrespeitar, é vício de linguagem usar-se sem a preposição a. Como antigamente eram transitivos diretos, admitem voz passiva.

 

PAGAR (v.t.d.i. c/prep. a)  

(pagar algo a alguém, obj. direto "coisa", obj.indireto "pessoa"):  

Já paguei as duplicatas ao cobrador.  

Observação: é vício de linguagem usar "pessoa" como objeto direto. Ainda que o objeto direto seja omitido, o indireto deve ser introduzido pela preposição a, mesmo com o destinatário da ação representando uma instituição.

 

PERDOAR (v.t.d.i. c/prep. a)  

(perdoar algo a alguém, obj. direto "coisa", obj. indireto "pessoa"):  

Jamais perdoou as traições ao marido.  

Observação: é vício de linguagem usar "pessoa" como objeto direto.  

 

PREFERIR (v.t.d.i. c/prep. a)  

Prefere uma sandice inglesa a pérolas nossas.  

Observação: não aceita os reforços "antes, mais, muito mais, mil vezes, um milhão de vezes etc.; nem os comparativos "que ou do que", por mais que seja semelhante ao verbo gostar.

 

QUERER (v.t.d. e v.t.i.)  

1) = desejar (v.t.d.):  

Quero sua amizade e compreensão.  

2) = estimar, querer bem (v.t.i. c/prep. a):  

Muito queremos a nossos filhos.  

 

RECORDAR (v.t.d.)  

Sempre recordo o seu aniversário.  

Observação: recordar-se (v.t.i. c/prep. de):  

Sempre me recordo do seu aniversário.  

 

RESPONDER (v.t.d., v.t.i. e v.t.d.i.)  

1) O complemento é a resposta dada (v.t.d.):  

Respondeu que não gostava de queijo.  

2) Resposta a algo/alguém (v.t.i. c/prep. a):  

Respondeu ao questionário / ao professor.  

3) Responder algo a alguém (v.t.d.i. c/prep. a):  

Respondeu as perguntas ao professor.  

 

SIMPATIZAR / antipatizar (v.t.i. - preposição com).  

Alguns não simpatizavam com o treinador.  

Observação: é vício de linguagem usar-se com pronome oblíquo.

 

SOLICITAR (v.t.d.i. c/prep. a)  

(solicitar algo a alguém):  

Solicitei apoio aos companheiros.  

 

VISAR (v.t.d. ou v.t.i. c/prep. a)  

1) mirar, dar visto (v.t.d.)  

O cônsul visou os passaportes.  

  Os atiradores visavam os alvos.  

2) ter em vista (v.t.i. c/prep. a):  

Sempre visei ao bem-estar da família.  

Observação: não aceita o pronome lhe.

Você visa ao lucro? Viso a ele.

 

OBSERVAÇÕES FINAIS  

Verbos pronominais são aqueles que  

1) não podem ser empregados sem pronomes oblíquos (essencialmente pronominais): atrever-se, indignar-se,  ufanar-se, referir-se, queixar-se, arrepender-se, suicidar-se, orgulhar-se, abster-se, ater-se, apiedar-se, compadecer-se, condoer-se, (in)dignar-se, esvair-se, jactar-se, vangloriar-se, apropriar-se...  

2) podem ser usados com ou sem pronomes oblíquos (eventualmente pronominais):

mudam de sentido: debater (discutir) / debater-se (agitar-se),   dirigir (conduzir, guiar) / dirigir-se (ir a ou falar a) / formar (compor) /  formar-se (graduar-se), deparar (encontrar) / deparar-se (apresentar-se)

a)...  e/ou de regência: lembrar, esquecer, recordar, admirar (v.t.d.) /  lembrar-se, esquecer-se, recordar-se, admirar-se (v.t.i.)...  

 

O pronome oblíquo lhe  

O pronome lhe é normalmente usado com v.t.i. (c/prep a) que tenham obj.   indireto "pessoa". Os principais v.t.i. que repelem o pronome lhe são: aspirar (almejar), assistir (ver), presidir, proceder (realizar), referir-se, visar (ter em vista)...  

 

 

REGÊNCIA NOMINAL  

É a relação de subordinação entre os nomes (substantivo, adjetivo, advérbio)  

e seus complementos, devidamente estabelecida pelas devidas preposições.  

 

Acostumado (a, com)  

Estava acostumado a / com qualquer coisa.  

Afável (a, com, para com)  

Parecia afável a / com / para com todos.  

Afeiçoado (a, por)  

Afeiçoado aos estudos.  

Afeiçoado pela vizinha.  

Aflito (com, por)  

Aflito com a notícia.  

Aflito por não ter notícia.  

Amizade (a, por, com)  

Amizade à / pela / com a irmã mais velha.  

Analogia (com, entre)  

Não fazia analogia com / entre os fatos.  

Apaixonado (de, por)  

Era um apaixonado das / pelas flores.  

Apto (a, para)  

É apto ao / para desempenho das funções.  

Ávido (de, por)  

Um homem ávido de / por novidades.  

Constituído (de, por)  

Constituído de / por várias turmas.  

Contemporâneo (a, de)  

Contemporâneo ao / do Modernismo.  

Devoto (a, de)  

Um aluno devoto às / das artes.  

Falho (de, em)  

Um político falho de / em caráter.  

Imbuído (de, em)  

Imbuído de / em vaidades.  

Incompatível (com)  

A verdade é incompatível com a realidade.  

Passível (de)  

O projeto é passível de modificações.  

Propenso (a, para)  

Sejam propensos ao / para o bem.  

Residente (em)  

Os residentes na Capital.  

Vizinho (a, de)  

Um prédio vizinho ao / do meu.   

Advérbios terminados em mente exigem a mesma preposição dos adjetivos dos quais derivam. Exemplos: relativo a / relativamente a; diferente de / diferentemente de

 

Alguns nomes mudam de sentido: apaixonado de - fã / apaixonado por - enamorado

Outros mantêm o sentido com a troca de preposição: vizinho a e vizinho de significam próximo.