quarta-feira, 21 de dezembro de 2022

Diferenças entre a Missa nova e a Tridentina

 a) no rito antigo, a celebração começava com as orações ao pé do altar, logo após a procissão de entrada, seguindo-se o Confiteor, o Introitus, o Kyrie e o Gloria; já no rito novo, não há as orações ao pé do altar, havendo, após a procissão, o Introitus (se não foi cantado durante a procissão), o Confiteor, o Kyrie e o Gloria, sendo invertida, então a ordem;

b) o próprio Confiteor era dito de uma outra forma, um pouco mais longa, e sempre duas vezes, uma pelo sacerdote, outra pelo povo; hoje é só uma;

c) após a absolvição que se seguia ao Confiteor, o sacerdote recitava uma outra fórmula, pela reforma suprimida, em que clamava o perdão e a indulgência dos pecados, durante a qual os fiéis se persignavam;

d) havia um só modo de recitar o ato penitencial, qual seja o Confiteor, e hoje há três: o Confiteor, o “Tende misericórdia” e um Kyrie seguido de invocações alternativas para os diversos tempos litúrgicos;

e) como o ato penitencial era sempre o Confiteor, o Kyrie sempre se dizia, mas hoje ele é dito salvo quando houver, no ato penitencial, a fórmula com o Kyrie e suas invocações;

f) o Kyrie continha nove invocações e hoje tem seis, salvo quando, cantado em gregoriano, a melodia obriga às nove;

g) o Gloria era sempre dito, exceto na Quaresma, Advento e Missas pelos defuntos; hoje só em Domingos, Solenidades, festas e quando há alguma ocasião especial (formaturas, ação de graças), sendo, igualmente, suprimido naqueles tempos;

h) como o calendário litúrgico é distinto em ambas as formas, as leituras nem sempre coincidem;

i) aliás, havia sempre uma só leitura, o salmo, o aleluia e o Evangelho, e hoje só é assim nos dias de semana, nas festas e memórias, dado que nos Domingos e Solenidades, há mais uma leitura, o que é uma grande riqueza;

j) as leituras eram distribuídas em um lecionário de um ano apenas, e hoje, no rito novo, o lecionário dominical é trienal e o semanal bienal, aumentando, consideravelmente, as leituras bíblicas;

k) no rito antigo não havia as preces dos fiéis, sendo tal prática restaurada pelo rito novo;

l) o Credo era sempre o Niceno, e hoje pode-se usar tanto o Niceno quanto o Apostólico;

m) o Ofertório era maior, com as orações ditas em voz baixa; a antífona do Ofertório era obrigatória; hoje, o Ofertório é mais simples, e a antífona é apenas uma opção, podendo ser cantado algum hino ou mesmo ser dito o Ofertório em voz alta; as preces para o Lavabo são distintas, mas o “De coração contrito” é o mesmo em ambas as formas;

n) a Oração Eucarística era apenas o Cânon Romano e hoje temos, além dele, mais três que constam do Missal Romano, sem contar as quatro para diversas necessidades, três próprias para Missas com Crianças e duas sobre reconciliação;

o) o Pai Nosso era dito pelo sacerdote, e o povo apenas repetia a última frase; hoje é dito por todos;

p) a Comunhão era dada obrigatoriamente na boca e estando o fiel de joelhos; hoje é aceita a comunhão na mão e em pé;

q) a concelebração só existia na Missa do Crisma e nas Ordenações; hoje pode-se sempre concelebrar;

r) era obrigatório o uso do manípulo; hoje esse paramento é facultativo;

s) a bênção era dada após o “Ite, Missa est”, e hoje a ordem se inverteu;

t) após os ritos finais, o sacerdote lia o Último Evangelho, i.e., o Prólogo do Evangelho de São João, cerimônia que foi suprimida no rito novo;

u) não só o Ordinário da Missa (a parte fixa, isso que até agora comentamos) foi modificado, com cerimônias alteradas, outras suprimidas e ainda algumas outras acrescentadas; também o Próprio da Missa (a parte variável) sofreu alterações: a Coleta, a Oração sobre as Oferendas, a Pós Comunhão, o Prefácio e as Antífonas foram aumentadas, outras alteradas, resgatando-se textos medievais e patrísticos riquíssimos;

v) muitos formulários de Missa foram acrescentados: Missas para diversas circunstâncias, Missas votivas, Missas rituais, Próprios de Santos, Comuns de Santos etc;

w) o rito antigo era obrigatório em latim, exceto a Liturgia da Palavra – que pode ser feita em vernáculo -, e o novo pode ser todo em latim ou em vernáculo;

x) a posição do sacerdote no rito antigo era “versus Deum”, e no rito novo pode ser “versus Deum”, “versus populum” (a mais comum) ou mesmo um misto entre ambas (“versus Deum” na Liturgia Eucarística e “versus populum” na Liturgia da Palavra);

y) o incenso estava reservado para as Missas Cantadas e para as Missas Solenes, e hoje qualquer Missa pode ter incenso.

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