Terceira parte: Adoração da Cruz
14. Terminada a oração universal, faz-se a solene adoração da santa Cruz, escolhendo-se, das duas formas propostas, a mais conveniente segundo as razões pastorais.
Primeira forma de apresentação da Santa Cruz
15. A cruz velada é levada ao altar, acompanhada por dois ministros com velas acesas. O sacerdote, de pé diante do altar, recebe a cruz, descobre-lhe a parte superior e a eleva um pouco, começando a antífona Eis o lenho da cruz, sendo ajudado, no canto, pelo diácono, ou mesmo, se convier, pelo coro. Todos respondem: Vinde, adoremos! Terminado o canto, ajoelham-se e permanecem um momento adorando em silêncio, enquanto o sacerdote continua de pé com a cruz erguida.
Em seguida, o sacerdote descobre o braço direito da cruz, elevando-a de novo e começa a antífona Eis o lenho da cruz, tudo como acima.
Enfim, descobre toda a cruz e, levantando-a, começa pela terceira vez a antífona Eis o lenho da cruz, prosseguindo como acima.
16. Acompanhado de dois ministros com velas acesar, o sacerdote leva a cruz à entrada do presbitério ou a outro lugar conveniente, onde a coloca ou entrega aos ministros, que a sustentam, depondo os castiçais à direita e à esquerda. Faz-se então a adoração da cruz como adiante, no n.18
Segunda forma de apresentação da Santa Cruz
17. O sacerdote ou o diácono, com os ministros dirige-se à porta da igreja, onde toma nas mãos a cruz sem véu. Acompanhado pelos minitros com velas acesas, vai em procissão pela nave até o presbitério. Junto à porta principal, no meio da igreja e à entrada do presbitério, de pé, ergue a cruz cantando a antífona Eis o lenho da cruz, a que todos respondem: Vinde, adoremos! ajoelhando-se e adorando um momento em silêncio, como acima.
Em seguida coloca-se a cruz com os castiãos a entrada do presbitério, como acima, no n.16.
Exortação ao erguer a Cruz
Pres: Eis o lenho da cruz, do qual pendeu a salvação do mundo.
Ass: Vinde, adoremos!
Adoração da Santa Cruz
18. Para a adoração da cruz aproximam-se, como em procissão, o sacerdote, o clero e os fiéis, exprimindo sua reverência pela genuflexão simples ou outro sinal apropriado, conforme os costume da regiãoo, por exemplo, beijando a cruz.
Durante a adoração cantam-se a antífona Adoramos, Senhor, vosso madeiro, os Lamentos do Senhor, ou outros cantos apropriados, sentando-se todos aqueles que já fizeram a adoração.
19. Deve-se apresentar à adoração do povo uma só e mesma cruz. Se, porcausa da grande quantidade de fiéis, não for possivel aproximarem-se individualmente, o sacerdote toma a cruz e, de pé diante do altar, convida o povo em breves palavras a adorá-la em silêncio, mantendo-a erguida por um momento.
20. Terminada a adoração, a cruz é levada para o altar, sem seu lugar habitual. Os castiçais acesos são colocados perto do altar ou da cruz.
Cantos para a adoração da cruz
Antífona
Adoramos, Senhor, vosso Madeiro;
vossa ressurreição nós celebramos.
A alegria chegou ao mundo inteiro
pela Cruz que nós hoje veneramos
Lamentos do Senhor
I
1 - Que te fiz, meu povo eleito?
Dize em que te contristei!
Que mais podia ter feito,
em que foi que eu te faltei?
1 e 2 - Deus santo,
Deus forte,
Deus imortal,
tende piedade de nós!
1 - Eu te fiz sair do Egito
com maná te alimentei;
preparei-te bela terra,
tu, a cruz para o teu rei!
1 e 2 - Deus santo,
Deus forte,
Deus imortal,
tende piedade de nós!
1 - Bela vinha eu te plantara,
tu plantaste a lança em mim;
águas doces eu te dava,
foste amargo até o fim!
1 e 2 - Deus santo,
Deus forte,
Deus imortal,
tende piedade de nós!
II
1 - Flagelei por ti o Egito,
primogênitos matei;
tu porém me flagelaste,
entregaste o próprio rei!
1 e 2 - Deus santo,
Deus forte,
Deus imortal,
tende piedade de nós!
1 - Eu te fiz sair do Egito,
afoguei o Faraó;
aos teus sumos sacerdotes
entregaste-me sem dó!
1 e 2 - Deus santo,
Deus forte,
Deus imortal,
tende piedade de nós!
1 - Eu te abri o mar Vermelho,
tu me abriste o coração;
a Pilatos me levaste,
eu levei-te pela mão!
1 e 2 - Deus santo,
Deus forte,
Deus imortal,
tende piedade de nós!
1 - Pus maná no teu deserto,
teu ódio me flagelou;
fiz da pedra correr água,
o teu fel me saturou!
1 e 2 - Deus santo,
Deus forte,
Deus imortal,
tende piedade de nós!
1 - Cananeus por ti batera,
bateu-me uma cana à toa;
dei-te cetro e realeza,
tu, de espinhos a coroa!
1 e 2 - Deus santo,
Deus forte,
Deus imortal,
tende piedade de nós!
1 - Só na cruz tu me exaltaste,
quando em tudo te exaltei;
por que à morte me entregaste?
Em que foi que eu te faltei?
1 e 2 - Deus santo,
Deus forte,
Deus imortal,
tende piedade de nós!
Hino
1 e 2 - Estribilho
Cruz fiel, árvore nobre,
que flor e fruto nos dais!
Árvore alguma se cobre
das mesmas pompas reais.
Lenho que o sangue recobre,
ao Homem Deus sustentais!
1 - Cantemos hoje em memória
da luta que houve na cruz,
este sinal da vitória,
que todo um povo conduz;
nela, coberto de glória,
morrendo, vence Jesus!
1 e 2 - Estribilho
Cruz fiel, árvore nobre,
que flor e fruto nos dais!
Árvore alguma se cobre
das mesmas pompas reais.
Lenho que o sangue recobre,
ao Homem Deus sustentais!
1 - O Criador, apiedado
da maldição que ocorreu
quando, do lenho vetado,
Adão o fruto mordeu,
para curar o pecado
um outro lenho escolheu.
1 e 2 - Estribilho
Cruz fiel, árvore nobre,
que flor e fruto nos dais!
Árvore alguma se cobre
das mesmas pompas reais.
Lenho que o sangue recobre,
ao Homem Deus sustentais!
1 - Que um lenho ao outro vencesse,
com arte Deus decretou,
e a salvação nos viesse
pela cruz que ele abraçou,
de novo a vida irrompesse
onde o pecado brotou.
1 e 2 - Estribilho
Cruz fiel, árvore nobre,
que flor e fruto nos dais!
Árvore alguma se cobre
das mesmas pompas reais.
Lenho que o sangue recobre,
ao Homem Deus sustentais!
1 - Quando, do tempo sagrado,
a plenitude chegou,
pelo seu Pai enviado,
o Filho ao mundo baixou:
de um corpo a Deus consagrado
a nossa carne tomou.
1 e 2 - Estribilho
Cruz fiel, árvore nobre,
que flor e fruto nos dais!
Árvore alguma se cobre
das mesmas pompas reais.
Lenho que o sangue recobre,
ao Homem Deus sustentais!
1 - Na manjedoura ele chora,
o rei eterno dos céus;
enfaixa-o Nossa Senhora,
que pobres panos os seus!
Por frágeis laços embora,
cativo o corpo de Deus.
1 e 2 - Estribilho
Cruz fiel, árvore nobre,
que flor e fruto nos dais!
Árvore alguma se cobre
das mesmas pompas reais.
Lenho que o sangue recobre,
ao Homem Deus sustentais!
1- Já tendo o tempo cumprido
da sua vida mortal,
só pelo amor impelido,
numa oblação sem igual,
na dura cruz foi erguido,
nosso Cordeiro pascal!
1 e 2 – Estribilho
Cruz fiel, árvore nobre,
que flor e fruto nos dais!
Árvore alguma se cobre
das mesmas pompas reais.
Lenho que o sangue recobre,
ao Homem Deus sustentais!
1- Cravam-lhe os cravos tão fundo,
seu lado vão traspassar;
já corre o sangue fecundo,
a água põe-se a brotar:
estrelas, mar, terra e mundo,
a tudo podem lavar!
1 e 2 – Estribilho
Cruz fiel, árvore nobre,
que flor e fruto nos dais!
Árvore alguma se cobre
das mesmas pompas reais.
Lenho que o sangue recobre,
ao Homem Deus sustentais!
1 - Inclina, ó árvore, os ramos,
acolhe o teu Criador;
para o que em ti nós pregamos,
do tronco abranda o rigor:
para o rei que hoje adoramos
sejas um leito de amor!
1 e 2 – Estribilho
Cruz fiel, árvore nobre,
que flor e fruto nos dais!
Árvore alguma se cobre
das mesmas pompas reais.
Lenho que o sangue recobre,
ao Homem Deus sustentais!
1 - Só a ti isto foi dado:
ao Salvador sustentar
e a todos que hão naufragado
ao porto eterno levar,
pois o Cordeiro, imolado,
quis o teu tronco sagrar.
1 e 2 – Estribilho
Cruz fiel, árvore nobre,
que flor e fruto nos dais!
Árvore alguma se cobre
das mesmas pompas reais.
Lenho que o sangue recobre,
ao Homem Deus sustentais!
Nunca se omite a conclusão.
1 e 2 – Estribilho
Louvor e glória ao Deus trino,
fonte de luz, sumo bem.
Ao Pai e ao Filho divino
louvor eterno convém.
Ergamos todos um hino
ao que de ambos provém. Amém.
Quarta parte: Comunhão
21. Estende-se uma toalha sobre o altar e colocam-se nele o corporal e o Missal. Entretanto o diácono, ou, na falta dele, o sacerdote, com o véu de ombros, leva o Santíssimo Sacramento do lugar da reserva para o altar; entretanto, todos estão de pé, em silêncio. Dois ministros com velas acompanham o Santíssimo Sacramento e colocam as velas junto do altar ou sobre ele. Não há ofertório nem consagração ou Oração Eucarística, pois não há a renovação do Sacrifício no altar, porém a comunhão se faz com as hóstias consagradas na Quinta-feira Santa.
22. Quando o diácono, se estiver presente, tiver colocado o Santíssimo Sacramento sobre o altar e descoberto a píxide, o sacerdote aproxima-se do altar e faz a genuflexão.
Pres: Obedientes a palavra do Salvador, formados por seu divino ensinamento, ousamos dizer:
O sacerdote abre os braços e prossegue com o povo:
Ass: Pai nosso que estais nos céus, santificado seja o vosso nome; venha a nós o vosso reino, seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu; o pão nosso de cada dia nos daí hoje, perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido, e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal.
O sacerdote prossegue sozinho, de braços abertos:
Pres: Livrai-nos de todos os males, ó Pai, e dai-nos hoje a vossa paz. Ajudados pela vossa misericórdia, sejamos sempre livres do pecado e protegidos de todos os perigos, enquanto, vivendo a esperança, aguardamos a vinda de Cristo salvador.
O sacerdote une as mãos. O povo conclui a oração aclamando:
Ass: Vosso é o reino, o poder e a glória para sempre!
O sacerdote, de mãos unidas, reza em silêncio:
Pres: Senhor Jesus Cristo, Filho do Deus vivo, que cumprindo a vontade do Pai e agindo com o Espírito Santo,pela vossa morte destes vida ao mundo, livrai-me dos meus pecados e de todo mal; pelo vosso Corpo e pelo vosso Sangue, dai-me cumprir sempre a vossa vontade e jamais separar-me de vós.
Omitem-se a oração da paz, a fração do pão e o canto e a recitação do Cordeiro de Deus.
O sacerdote faz genuflexão, toma a hóstia, elevando-a sobre o cibório, diz em voz alta, voltado para o povo:
Felizes os convidados para o Banquete nupcial do Cordeiro.
Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo.
E acrescenta, com o povo, uma só vez:
Ass: Senhor, eu não sou digno de que entreis em minha morada, mas dizei uma palavra e serei salvo.
25. O sacerdote comunga e dá comunhão aos fiéis. Durante a comunhão pode-se entoar um canto apropriado.
26. Terminada a distribuição da comunhão, o diácono ou um ministro idóneo leva a píxide para o lugar previamente preparado fora da igreja ou,se as circunstâncias o exigirem, coloca-a no sacrário.
27. Então o sacerdote diz Oremos e, depois de um conveniente espaço de silêncio sagrado, diz a oração depois da Comunhão:
Depois da comunhão
Oremos.
Ó Deus, que nos renovastes pela santa morte e ressurreição do vosso Cristo, conservai em nós a obra de vossa misericórdia, para que, pela participação deste mistério vos consagremos sempre a nossa vida.
Por Cristo, nosso Senhor.
Ass: Amém.
28. À despedida, o sacerdote estende as mãos sobre o povo e diz:
Oração sobre o povo
Que a vossa bênção, ó Deus, desça copiosa sobre o vosso povo, que acaba de celebrar a morte do vosso Filho, na esperança da sua ressurreição. Venha o vosso perdão, seja dado o vosso consolo; cresça a fé verdadeira e a redenção se confirme. Por Cristo, nosso Senhor.
Ass: Amém.
Todos se retiram em silêncio. O altar é oportunamente desnudado. Não há avisos nem bênção final ou despedida, muito menos canto final.
29. Os que participaram da solene ação liturgica vespertina não rezam as vésperas.
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