segunda-feira, 21 de setembro de 2020

Omitir ou não o Glória?

 Quando uma ordenação sacerdotal é realizada em um dia que não é festa nem solenidade, canta-se o Glória? O rito da ordenação só afirma que, após a procissão, “a Liturgia da Palavra é desenvolvida de acordo com as normas”. Desta perspectiva, não deverá haver o Glória se a missa for rezada num dia de memória litúrgica. No entanto, em todas as ordenações em que participei, sempre foi cantado o Glória, independentemente das normas. Qual é a resposta correta? – H.H., Berkeley, Califórnia (EUA).


Quando há um batismo durante a missa de domingo, deve-se omitir, além da saudação e do rito penitencial, também o Glória?  –C.A., Townsville, Austrália.


A Instrução Geral do Missal Romano afirma, em seu número 53:


“53. O Glória é um hino antiquíssimo e venerável, pelo qual a Igreja, congregada no Espírito Santo, glorifica e suplica a Deus Pai e ao Cordeiro. O texto deste hino não pode ser substituído por outro. Entoado pelo sacerdote, ou, se for o caso, pelo cantor ou grupo de cantores, é cantado por toda a assembleia, ou pelo povo que o alterna com o grupo de cantores, ou pelo próprio grupo de cantores. Se não for cantado, deve ser recitado por todos juntos ou por dois coros dialogando entre si. É cantado ou recitado aos domingos, exceto no tempo do Advento e da Quaresma e em celebrações da Esperança, nas solenidades e festas e ainda em celebrações especiais mais solenes”.


Por conseguinte, uma vez que a ordenação é certamente uma “celebração especial mais solene”, o Glória pode ser cantado ou recitado em qualquer ordenação em que a missa ritual para a ordenação possa ser celebrada.


Uma memória obrigatória não impedirá a celebração da missa ritual, e, por isso, o Glória poderá ser cantado. É o caso inclusive quando, por um bom motivo, o bispo decide celebrar o santo do dia em vez da missa ritual. Os dias em que o Glória seria omitido durante uma ordenação, como os domingos da Quaresma e do Advento, missas de 7º dia, trigésimo dia, um ano de falecimento, missas de corpo presente e Dia de Finados, normalmente não são escolhidos para uma celebração tão festiva.


Quando é celebrado um batismo durante a missa, são omitidos a saudação (acolhida) e o ato penitencial, e o rito do acolhimento das crianças ocorre no início da celebração, após isso, segue-se o hino de louvor (Glória), quando prescrito, a oração do dia (coleta) e a liturgia da palavra como de costume, após isso, segue-se a oração sobre a água, renovação das promessas do batismo com a renúncia e a profissão de fé, o batismo, a unção pós-batismal, a veste batismal e o rito de luz. As normas dizem que é omitido também o Credo, porque a profissão de fé de toda a comunidade precede o momento do batismo. Após isso, segue-se a oração universal (oração dos fiéis) e a liturgia eucarística como de costume: preparação das oferendas (ofertório), oração eucarística (anáfora) e rito da comunhão, seguido dos avisos (se necessários), da bênção final e despedida.


Como o rito do batismo não faz nenhuma menção ao Glória, presume-se que não haja influência da celebração do sacramento e, portanto, seguem-se as normas habituais relativas a cantá-lo ou não. Da mesma forma, o fato de que as normas de outros ritos sacramentais, incluindo a ordenação, mencionem o canto do Glória, caso previsto, parece sugerir que o batismo não constitui uma exceção a essa regra geral.

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