quinta-feira, 7 de janeiro de 2021

Júlio Battisti - Figuras de Linguagens

 Segundo Mauro Ferreira, a importância em reconhecer figuras de linguagem está no fato de que tal conhecimento, além de auxiliar a compreender melhor os textos literários, deixa-nos mais sensíveis à beleza da linguagem e ao significado simbólico das palavras e dos textos.


Definição: Figuras de linguagem são certos recursos não-convencionais que o falante ou escritor cria para dar maior expressividade à sua mensagem.


METÁFORA

É o emprego de uma palavra com o significado de outra em vista de uma relação de semelhança entre ambas. É uma comparação subentendida sem o conectivo comparativo.


Exemplo:


Minha boca é um túmulo.


Essa rua é um verdadeiro deserto.


COMPARAÇÃO

Consiste em atribuir características de um ser a outro, em virtude de uma determinada semelhança.


Exemplo:


O meu coração está igual a um céu cinzento.


O carro dele é rápido como um avião.


PROSOPOPÉIA

É uma figura de linguagem que atribui características humanas, como fala, movimento e raciocínio, a seres inanimados, como objetos, animais, sentimentos e plantas. Também podemos chamá-la de PERSONIFICAÇÃO.


Exemplo:


O céu está mostrando sua face mais bela.


O cão mostrou grande sisudez.


SINESTESIA

Consiste na mistura de, em uma mesma expressão, sensações percebidas por diferentes órgãos do sentido.


Exemplo:


Raquel tem um olhar frio, desesperador.


Aquela criança tem um olhar tão doce.


CATACRESE

É uma metáfora desgastada, tão usual que já não percebemos. Assim, a catacrese é o emprego de uma palavra por empréstimo por falta de um termo específico.


Exemplo:


O menino quebrou o braço da cadeira.


A manga da camisa rasgou.


METONÍMIA

É a substituição de uma palavra por outra, quando existe proximidade de sentido ou relação lógica entre eles. Também podemos chamá-la de SINÉDOQUE. Ocorre metonímia quando empregamos:


- O autor pela obra.


Exemplo:


Li Jô Soares dezenas de vezes. (a obra de Jô Soares)


- o continente pelo conteúdo.


Exemplo:


O ginásio aplaudiu a seleção. (ginásio está substituindo os torcedores)


- a parte pelo todo.


Exemplo:


Vários brasileiros vivem sem teto, ao relento. (teto substitui casa)


- o efeito pela causa.


Exemplo:


Suou muito para conseguir a casa própria. (suor substitui o trabalho)


PERÍFRASE

É a designação de um ser através de um nome que o identifique com facilidade, como suas características ou atributos, ou um fato que o celebrizou. Referindo-se a uma pessoa, o termo adequado é antonomásia.


Exemplo:


A Veneza Brasileira também é palco de grandes espetáculos. (Veneza Brasileira = Recife)


A Cidade Maravilhosa está tomada pela violência. (Cidade Maravilhosa = Rio de Janeiro)


ANTÍTESE

Consiste no uso de palavras ou expressões de sentidos opostos que se referem a ideias diferentes. Quando os termos opostos se referem à mesma ideia, a figura recebe o nome de paradoxo (ou oxímoro): Vivo no mundo da lua, passo o dia sonhando acordado.


Exemplo:


Nada com Deus é tudo



Tudo sem Deus é nada.


EUFEMISMO

Consiste em suavizar palavras ou expressões para evitar o impacto de uma mensagem cruel, negativa ou ofensiva.


Exemplo:


Ele foi repousar no céu, junto ao Pai. (repousar no céu = morrer)


Os homens públicos envergonham o povo. (homens públicos = políticos)


HIPÉRBOLE

É um exagero intencional para dar mais expressividade à mensagem.


Exemplo:


Ela chorou rios de lágrimas.


Muitas pessoas morriam de medo da perna cabeluda.


IRONIA

Consiste em afirmar o oposto do que se realmente pensa ou acredita.


Exemplo:


Que alunos inteligentes, não sabem nem somar.


Se você gritar mais alto, eu agradeço.

 

GRADAÇÃO

 

Consiste em uma sequência de ideias, em ordem crescente ou decrescente.

 

Exemplo:

 

O dia estava bonito, belo, exuberante.

 

Você é uma pessoa jeitosa, linda, maravilhosa, deslumbrante.

 

APÓSTROFE

 

Consiste em uma invocação, interpelação. Sintaticamente, equivale ao vocativo.

 

Exemplo:

 

'Tende piedade, Senhor, de todas as mulheres' (Vinícius de Moraes)


ONOMATOPEIA

Consiste na reprodução ou imitação do som ou voz natural dos animais, dos objetos, da natureza e do homem.


Exemplo:


Com o au-au dos cachorros, os gatos desapareceram.


Miau-miau. – Eram os gatos miando no telhado a noite toda.


ALITERAÇÃO

Consiste na repetição de um determinado som consonantal no início ou interior das palavras.


Exemplo:


O rato roeu a roupa do rei de Roma.

 

ASSONÂNCIA

 

É uma variante da aliteração, que consiste na repetição de um som vocálico.


Exemplo:


'Esta menina tão pequenina quer ser bailarina' (Cecília Meireles)


PARONOMÁSIA


Consiste no uso de palavras parecidas, mais conhecida como trocadilho.


Exemplo:


Tomou Doril, a dor sumiu


O peão jogava pião com seus colegas


ELIPSE

Consiste na omissão de um termo que fica facilmente subentendido, identificado pelo contexto.


Exemplo:


Após a queda, nenhuma fratura.

A linguagem cotidiana usa com frequência a elipse: o (telefone) celular, o (dente) canino, a (igreja) catedral, o micro (computador), o (documento) abaixo-assinado, a (carta) circular, o (membro) representante, a (caneta) esferográfica, o (filme) documentário, o (medicamento) genérico, a (casa) lotérica, o controle (remoto), o (exame) vestibular, o décimo terceiro (salário), a (agência) funerária.


ZEUGMA

Consiste na omissão de um termo que já apareceu antes, evitando sua repetição.


Exemplo:


Ele come carne, eu verduras.


PLEONASMO

Consiste na intensificação de um termo através da sua repetição, reforçando seu significado.


Exemplo:


Nós cantamos um canto glorioso.

O pleonasmo também pode ser a repetição desnecessária de um termo ou ideia, não intencional e sem valor estilístico: surpresa inesperada, elo de ligação, consenso geral, encarar de frente, baseado em fatos reais. Neste caso, não configura uma figura de linguagem, e sim um vício de linguagem.


POLISSÍNDETO

É a repetição da conjunção entre as orações de um período ou entre os termos da oração.


Exemplo:


Chegamos de viagem e tomamos banho e saímos para dançar.


ASSÍNDETO

Ocorre quando há a ausência da conjunção entre duas orações.


Exemplo:


Chegamos de viagem, tomamos banho, depois saímos para dançar.


ANACOLUTO

Consiste numa mudança repentina da construção sintática da frase.


Exemplo:


Ele, nada podia assustá-lo.


Nota: o anacoluto ocorre com freqüência na linguagem falada, quando o falante interrompe a frase, abandonando o que havia dito para reconstruí-la novamente.


ANAFÓRA

Consiste na repetição de uma palavra ou expressão para reforçar o sentido, contribuindo para uma maior expressividade.


Exemplo:


Cada alma é uma escada para Deus,


Cada alma é um corredor-Universo para Deus,


Cada alma é um rio correndo por margens de Externo


Para Deus e em Deus com um sussurro noturno. (Fernando Pessoa)

Existe um recurso de coesão chamado de anáfora, que retoma algo que já foi especificado. Exemplo: A moça era a melhor secretária, ela agendava os compromissos, quando o chefe a interrompeu.


SILEPSE

Ocorre quando a concordância é realizada com a idéia e não sua forma gramatical. Existem três tipos de silepse: gênero, número e pessoa.


De gênero.


Exemplo:


Vossa Excelência está preocupado com as notícias. (o pronome Vossa Excelência é feminino quanto à forma, mas nesse exemplo a concordância se deu com o ser a que se refere o pronome de tratamento e não com o pronome em si).


De número.


Exemplo:


A boiada ficou furiosa com o peão e derrubaram a cerca. (nesse caso a concordância se deu com a idéia de plural da palavra boiada).


De pessoa


Exemplo:


As mulheres decidimos não votar em determinado partido até prestarem conta ao povo. (nesse tipo de silepse, o falante se inclui mentalmente entre os participantes de um sujeito em 3ª pessoa).

O Presidente da República faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte lei (...).

 

HIPÁLAGE

 

Consiste no desajustamento de uma característica, em que uma palavra ocupa o lugar de outra.


Exemplo:


'Ao som do mar e à luz do céu profundo' (Hino Nacional Brasileiro)

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