As orações podem ser constituídas da seguinte forma:
Períodos simples » são aqueles formados por uma só oração, chamada absoluta.
Exemplo:
O mar estava calmo. (Aparece apenas um verbo: estava. Logo, período simples).
Períodos compostos » são aqueles formados por duas ou mais orações.
Exemplo:
A sessão começou calma e terminou agitada. (Aparecem dois verbos: começou e terminou. Logo, período composto).
O período composto pode ser classificado em:
Coordenação;
Subordinação.
Nesse primeiro tutorial falaremos sobre Período Composto por Subordinação, cujo período é formado por uma oração principal e uma oração subordinada.
As orações subordinadas podem ser:
- oração subordinada substantiva;
- oração subordinada adjetiva;
- oração subordinada adverbial.
ORAÇÕES SUBORDINADAS SUBSTANTIVAS
Como o próprio nome diz, são orações que exercem as funções sintáticas dos substantivos. Vejamos como são classificadas e quais as funções exercidas:
CLASSIFICAÇÃO DA ORAÇÃO FUNÇÃO EXERCIDA
Subjetiva Sujeito da oração principal
Objetiva direta Objeto direto do verbo da oração principal
Objetiva indireta Objeto indireto do verbo da oração principal.
Predicativa Predicativo do sujeito da oração principal.
Completiva nominal Complemento nominal de um termo da oração principal.
Apositiva Aposto de um termo da oração principal.
Em sua forma desenvolvida, apresentam conjunção integrante, pronome ou advérbio interrogativo (quando nas frases interrogativas indiretas). Em sua forma reduzida, não apresentam esses conectivos e o verbo aparece no infinitivo.
ORAÇÃO SUBORDINADA SUBSTANTIVA SUBJETIVA
Exerce a função de sujeito da oração principal.
Exemplos:
É necessário que você estude o projeto.
Foi decidido que o veículo fará uma revisão completa.
Sabendo que a oração subordinada substantiva subjetiva funciona como sujeito, não poderá haver sujeito dentro da oração principal.
Substituindo pelo pronome isso, temos:
Isso é necessário.
Isso foi decidido.
ORAÇÃO SUBORDINADA SUBSTANTIVA OBJETIVA DIRETA
Funciona como objeto direto do verbo da oração principal.
Exemplos:
Os estudos mostram que muitos jovens são viciados em álcool.
O gerente explicou que metas foram alcançadas.
Substituindo pelo pronome isso, temos:
Os estudos mostram isso.
O gerente explicou isso.
Pode ser introduzida por pronomes ou advérbios interrogativos:
Não sabemos...
onde fica o teatro
como a máquina funciona
quanto custa o remédio
quando entra em vigor a nova lei
qual é o assunto da palestra
ORAÇÃO SUBORDINADA OBJETIVA INDIRETA
Funciona como objeto indireto do verbo da oração principal. Assim como o objeto indireto, a oração subordinada objetiva indireta é iniciada por uma preposição. A preposição pode vir implícita.
Exemplos:
A empresa necessitava de que a mercadoria fosse entregue.
Os trabalhadores aspiram a que respeitem seus direitos trabalhistas.
Substituindo pelo pronome isso, temos:
A empresa necessitava disso.
Os trabalhadores aspiram a isso.
ORAÇÃO SUBORDINADA SUBSTANTIVA COMPLETIVA NOMINAL
Funciona como complemento nominal de um substantivo, adjetivo ou advérbio da oração principal. A preposição também é facultativa.
Exemplos:
Roberto tinha necessidade de que Elis voltaria.
A estudante estava esperançosa de que a prova sobre o sistema biológico fosse fácil.
O candidato torcia favoravelmente a que passasse no vestibular.
Substituindo pelo pronome isso, temos:
Roberto tinha necessidade disso.
A estudante estava esperançosa disso.
O candidato torcia favoravelmente a isso.
ORAÇÃO SUBORDINADA SUBSTANTIVA PREDICATIVA
Exerce a função de predicativo do sujeito da oração principal. Aparece sempre depois do verbo ser.
Exemplos:
Nossa esperança é que as nações busquem a paz.
Nossa preocupação era que Roberto permanecesse doente.
Substituindo pelo pronome esse, temos:
Nossa esperança é essa.
Nossa preocupação era essa.
ORAÇÃO SUBORDINADA SUBSTANTIVA APOSITIVA
Funciona como aposto da oração principal, ou seja, funciona como uma explicação de uma palavra da oração principal. Frequentemente é precedida por dois-pontos e, às vezes, pode vir entre vírgulas ou travessões e também justaposta, isto é, sem a presença da conjunção integrante.
Exemplos:
A esperança dos países pobre é uma: que a distribuição de renda seja mais justa.
Só lhe peço isso: que me obedeça.
Substituindo pelo pronome esse, temos:
A esperança dos países pobre é uma: essa.
Só lhe peço uma coisa: essa.
Apesar de a NGB não fazer referência, existem orações subordinadas substantivas com função de agente da passiva, iniciadas por de ou por + pronome indefinido.
Exemplo:
Os crimes são solucionados por quem os estuda.
ORAÇÃO SUBORDINADA ADJETIVA
São orações que têm o valor e a função do adjetivo. Sempre se referem a um substantivo ou pronome da oração principal. Em sua forma desenvolvida, são sempre iniciadas por pronomes relativos (que, quem, qual, quanto, onde, cujo, como, quando). Em sua forma reduzida, não apresentam pronomes relativos e o verbo aparece no infinitivo, gerúndio ou particípio.
Exemplos:
O computador japonês causou boas impressões.
Adjetivo
O computador que é japonês causou boas impressões.
Oração subordinada adjetiva
É um trabalho emocionante.
Adjetivo
É um trabalho que emociona.
Oração subordinada adjetiva
CLASSIFICAÇÃO DA ORAÇÃO SUBORDINADA ADJETIVA
Dependendo do sentido que as orações subordinadas adjetivas têm no texto, elas podem ser classificadas como:
RESTRITIVAS
EXPLICATIVAS
ORAÇÃO SUBORDINADA ADJETIVA RESTRITIVA
São aquelas que restringem, delimitam, particularizam o sentido do substantivo ou pronome a que se referem.
Exemplos:
Os políticos que são honestos merecem nosso respeito.
Oração subordinada adjetiva restritiva
De acordo com a oração não são todos os políticos que merecem respeito, mas apenas um conjunto restrito, ou seja, aqueles que são honestos.
Ele implantou o sistema que nós desenvolvemos.
Oração subordinada adjetiva restritiva
A oração que nós desenvolvemos restringe o significado da palavra sistema. Ele não implantou um sistema qualquer e sim um sistema específico, ou seja, o que nós desenvolvemos.
ORAÇÃO SUBORDINADA ADJETIVA EXPLICATIVA
São orações que servem para esclarecer melhor, generalizar ou universalizar o sentido do termo a que se refere, explicando detalhadamente sua característica principal.
Exemplos:
O problema, que era de fácil resolução, deixou os alunos apreensivos.
Oração subordinada adjetiva explicativa
O aluno, que era irresponsável, vivia faltando às aulas.
Oração subordinada adjetiva explicativa.
ORAÇÕES SUBORDINADAS ADVERBIAIS
As orações subordinadas adverbiais exercem a função sintática de adjunto adverbial da oração principal.
Exemplo:
Eles chegaram quando amanhecia.
oração subordinada adverbial temporal
O fazendeiro vendeu as cabeças de gado porque precisava de dinheiro.
oração subordinada adverbial causal
Observações:
Em sua forma desenvolvida as orações subordinadas adverbiais são introduzidas por qualquer tipo de conjunção subordinativa, exceto as integrantes.
Quando reduzidas, não apresentam conjunções ou locuções conjuntivas, podem ser introduzidas por preposições ou locuções prepositivas. O verbo aparece no infinitivo, gerúndio ou particípio.
CLASSIFICAÇÃO DAS ORAÇÕES SUBORDINADAS ADVERBIAIS
As orações subordinadas adverbiais são classificadas em função do sentido exposto pela oração. São elas:
TEMPORAL
CAUSAL
CONDICIONAL
PROPORCIONAL
FINAL
CONSECUTIVA
CONFORMATIVA
CONCESSIVA
COMPARATIVA
ORAÇÃO SUBORDINADA ADVERBIAL TEMPORAL
Expressa idéia de tempo, ou seja, o momento em que acontece ou começa a acontecer o fato da oração principal.
Iniciam-se por: quando, enquanto, antes que, depois que, logo que, assim que, desde que, sempre que, até que, mal, toda vez que.
Exemplos:
Escreva-me sempre que você sentir saudades.
As pessoas começaram a acenar logo que a cantora apareceu na janela.
ORAÇÃO SUBORDINADA ADVERBIAL CAUSAL
Expressa a causa do fato originado na oração principal. São iniciadas por: porque, já que, uma vez que (com o verbo no indicativo), visto que, como, porquanto, na medida em que.
Exemplos:
A praia estava lotada porque era verão..
Uma vez que tinha compromisso importante não aceitou o convite.
ORAÇÃO SUBORDINADA ADVERBIAL CONDICIONAL
Impõe uma condição para que o fato contido na oração principal ocorra. Inicia-se por: se, caso, desde que, a menos que, exceto se, salvo se, sem que, a não ser que, uma vez que (com o verbo no subjuntivo), contanto que.
Exemplos:
Você perderá o emprego caso chegue atrasado.
Aceitarei o cargo desde que a promessa seja cumprida.
O plano dará certo, contanto que a inflação continue sob controle.
ORAÇÃO SUBORDINADA ADVERBIAL PROPORCIONAL
Expressa uma relação de proporcionalidade entre o fato da oração principal e da oração subordinada. Inicia-se por: à proporção que, à medida que, quanto mais... mais, quanto menos... menos, ao passo que.
Exemplos:
À medida que a gasolina aumenta vários preços também aumentam.
Quanto mais prometem os políticos, menos acredito neles.
ORAÇÃO SUBORDINADA ADVERBIAL FINAL
Expressa a finalidade do fato contido na oração principal. Inicia-se por: a fim de que, para que, que, porque (= para que).
Exemplos:
Fizemos à reunião para que todos entendessem o projeto.
Os desabrigados foram enviados aos ginásios escolares a fim de que ficassem protegidos do temporal.
ORAÇÃO SUBORDINADA ADVERBIAL CONSECUTIVA
Expressa o resultado do fato relatado pela oração principal. Inicia-se pela conjunção que (precedida de tão, tal, tanto, tamanho), de forma que, de modo que, de sorte que, de maneira que.
Exemplos:
Estudou tanto para o vestibular que passou em primeiro lugar.
O professor foi tão aplaudido que ficou emocionado.
Jesus é tão importante que não podemos viver sem a presença dEle.
ORAÇÃO SUBORDINADA ADVERBIAL CONFORMATIVA
Expressa idéia de conformidade com o fato relatado na oração principal. Inicia-se por: conforme, como, consoante, segundo, de acordo com.
Exemplos:
O juiz agiu conforme determina a lei.
Os computadores precisam de bons antivírus, segundo dizem os especialistas em segurança.
As cortinas foram abertas como nos instruíram.
ORAÇÃO SUBORDINADA ADVERBIAL CONCESSIVA
Expressa uma ideia contrária ao fato contido na oração principal, porém insuficiente para anulá-la. Inicia por: embora, conquanto, ainda que, mesmo que, se bem que, por mais que, por menos que, por muito que, por pouco que, por melhor que, por pior que, posto que, nem que.
Exemplos:
Por mais que eu estudasse não conseguia entender o problema.
Acredito nas leis, ainda que não sejam respeitadas.
ORAÇÃO SUBORDINADA ADVERBIAL COMPARATIVA
Expressa uma comparação entre o fato expresso pela oração subordinada e o expresso pela principal. Inicia-se por: como, assim como, bem como, mais... (do) que, menos... (do) que, tão... quanto/como, tanto... quanto/como, tal qual, que nem (coloquial).
o goleiro era tão rápido quanto o piscar de olhos.
O Brasil tem mais impostos do que serviços públicos decentes.
O problema do computador era menos crítico do que pensavam os especialistas.
Apesar de a NGB não registrar, muitos gramáticos consideram dois tipos de orações subordinadas adverbiais: modal (expressa o modo relacionado à oração principal) e locativa (expressa ideia de lugar).
Exemplos:
O funcionário saiu sem ser visto.
Eu estou onde você me deixou. (só é locativa quando não aparecer o antecedente, se vier expresso, será adjetiva)
O período composto por coordenação é constituído por orações coordenadas.
Chamamos oração coordenada por não exercer nenhuma função sintática em outra oração, daí ser chamada também oração independente.
Exemplo:
Você trouxe o bolo, mas eu não o comi.
Verbo verbo
O pedreiro chegou e começou o serviço.
As orações coordenadas podem ou não conter a presença de conjunções. Dependendo desta condição podemos classificar as orações coordenadas como:
ASSINDÉTICAS
Chamamos orações coordenadas assindéticas aquelas que não possuem conjunção.
SINDÉTICAS
As orações coordenadas sindéticas são aquelas que possuem conjunção.
ORAÇÕES COORDENADAS ASSINDÉTICAS
Coordenam-se umas às outras sem a presença de conectivo, conjunção. Estão apenas justapostas, separadas por vírgula. Não apresentam classificação, embora possam ser percebidas diferentes relações entre elas - por exemplo: de adição (vim, vi, venci), de explicação (chegue mais cedo, precisamos conversar) ou de oposição (eles saíram, eu fiquei)
Exemplo:
Amanheceu, acordei, admirei os primeiros raios solares.
O computador era potente, tinha velocidade, não possuía proteção.
ORAÇÕES COORDENADAS SINDÉTICAS
Coordenam-se umas às outras por meio de conectivo, conjunção.
Exemplo:
Olhei e comprei o presente.
Correu demais, por isso caiu.
CLASSIFICAÇÃO DAS ORAÇÕES COORDENADAS SINDÉTICAS
As orações coordenadas sindéticas são classificadas de acordo com as conjunções que as unem. Podem ser:
ADITIVAS
ADVERSATIVAS
ALTERNATIVAS
EXPLICATIVAS
CONCLUSIVAS
ORAÇÕES COORDENADAS SINDÉTICAS ADITIVAS
Expressam idéia de soma, adição. Conjunções: e, nem (e não), mas também, como também, mas ainda, senão também (depois de não só), tampouco, além disso, ademais, outrossim, mais (na matemática ou em linguagem regional).
Exemplo:
Ele não só conhecia a cidade, mas também os melhores pontos turísticos.
Não só estudava como também ensinava.
Telefonou e comunicou sua decisão ao chefe.
ORAÇÕES COORDENADAS SINDÉTICAS ADVERSATIVAS
Expressam idéias contrárias à outra oração. Conjunções: mas, porém, todavia, contudo, no entanto, entretanto, não obstante, senão (= mas sim), e (= mas).
Exemplo:
A população fez várias passeatas, mas não conseguiu bons resultados.
Viajou para Londres, contudo não esquecia Recife.
O problema era facilmente resolvido, entretanto poucos conseguiram resolvê-lo.
ORAÇÕES COORDENADAS SINDÉTICAS ALTERNATIVAS
Expressam idéia de exclusão, alternância. Conjunções: ou (repetido ou não), ora, quer, já, seja (repetidos).
Ora estudava matemática, ora estudava português.
Procure chegar cedo ou não conseguirá a vaga.
ORAÇÕES COORDENADAS SINDÉTICAS EXPLICATIVAS
Expressa uma justificativa, explicação, contida na outra oração coordenada. Conjunções: pois (anteposta ao verbo), porque, que, porquanto.
Exemplo:
Recife está intransitável, pois é repleta de buracos em suas ruas.
Não vou sair à noite, porque vou fazer uma prova importante amanhã.
ORAÇÕES COORDENADAS SINDÉTICAS CONCLUSIVAS
Expressa uma idéia de conclusão do fato contido na oração anterior. Conjunções: logo, portanto, pois (colocada após o verbo), assim, por isso, por conseguinte, destarte, dessarte.
Exemplos:
Conseguimos bater a meta, portanto podemos comemorar o nosso sucesso.
Acreditamos na igualdade entre os povos; por isso devemos lutar por uma distribuição de renda melhor.
POLISSEMIA CONJUNTIVA E A ORAÇÃO COORDENADA
Conjunção pois: pode caracterizar as seguintes orações:
CONCLUSIVA » não inicia a oração, aparece entre vírgulas ou separada da oração por uma vírgula. Pode ser substituída por 'portanto'.
Exemplo:
Henrique está louco; devemos, pois, interditá-lo.
EXPLICATIVA » inicia a oração e pode ser substituída pelas conjunções explicativas porque e que. Pode ser substituída por 'porque'.
A conjunção e, normalmente aditiva, pode assumir valor adversativo.
Exemplo:
Convidei vários amigos e nenhum veio ao jantar.
(Convidei vários amigos mas nenhum veio ao jantar).
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